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Ginásio Pernambucano – Uma lição de resistência

O Ginásio Pernambucano foi fundado em 1º de setembro de 1825, sob o nome de Liceu Provincial de Pernambuco, numa das dependências do convento do Carmo, é considerado o mais antigo colégio do país ainda em atividade.

O seu primeiro diretor foi o frade beneditino Miguel do Sacramento Lopes Gama, conhecido por Padre Carapuceiro, apelido que lhe foi atribuído em razão de ser o único redator do Jornal O Carapuceiro, periódico voltado às críticas sociais de enorme repercussão na época.

Em suas dependências, em 1841, foi criada a Sociedade de Medicina de Pernambuco, hoje denominada Associação Médica de Pernambuco, Nesse mesmo ano, ainda em suas dependências, também foi criada e, depois inaugurada em 1852,  a Biblioteca Pública de Pernambuco.

Mudou inúmeras vezes de  nome e local de funcionamento. Como Liceu funcionou, de 1844 a 1850, em um sobrado da rua Gervásio Pires, na rua da Praia e no Pátio do Paraíso. Em 1850, mudou-se para a rua do Hospício, para o prédio onde funcionou depois a Escola de Engenharia, permanecendo naquele local por 16 anos.

Resistencia e persistência como aprendizados

Em 1859, recebeu visita do Imperador Dom Pedro II, que ficou encantado com a beleza e estrutura do prédio. Em 1866, ainda inacabado, o colégio  se instala, definitivamente, na rua da Aurora. O projeto original, previa a construção de dois andares, porém, como medida de economia, apenas foi levantado naquela ocasião o pavimento térreo. Somente, no ano de 1857, acrescentou-se o pavimento superior.

No governo de Alexandre José Barbosa Lima, passou a chamar-se Instituto Benjamim Constant, fazendo-se a fusão do Ginásio com a Escola Normal, abolindo o internato e agregando vários cursos de caráter científico e profissional.

Em junho de 1899, o Instituto foi extinto, voltando o nome Ginásio Pernambucano, que permaneceu até 1942, quando passou a ser o Colégio Pernambucano e depois Colégio Estadual. Voltou a ser denominado Ginásio Pernambucano  1974.

Até o início da década de 1950, só aceitava alunos do sexo masculino. E as primeiras turmas femininas só foram criadas em 1955. As turmas mistas, formadas por alunos de ambos os sexos, só surgiram em 1970

Reconhecido pela excelência de ensino dos seus professores, nele estudaram figuras renomadas que se destacaram, posteriormente, nas mais diferentes vertentes do conhecimento humano, político, artístico e cultural, como Clarice Lispector, Ariano Suassuna, Epitácio Pessoa, Celso Furtado, Assis Chateaubriand, só para citar alguns.

Devido à essa relevância histórica e cultural, o prédio localizado na rua da Aurora, bairro de Santo Amaro, no Recife, foi tombado pelo IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

Um salto na modernidade

Em 2004, foi reinaugurado como Centro de Ensino Experimental (CEE), projeto idealizado por um grupo de empresários e educadores em parceria com o governo do Estado, que inclui atendimento ao aluno em tempo integral, treinamento e elevação salarial para os professores, premiação por resultados, aperfeiçoamento da gestão, controle social e integração com a comunidade.

No ano de 2012, foi inaugurada uma nova sede para o Ginásio Pernambucano, que saiu da rua da Aurora e não voltou, permanecendo na sua sede provisória enquanto aguardava o novo prédio que fica atualmente na Avenida Cruz Cabugá, no bairro de Santo Amaro.

Mesmo com o peso de uma história de quase dois séculos, o Ginásio Pernambucano procura se modernizar a cada ano letivo iniciado. Sala de aula com robótica, clube de tecnologia, laboratório de informática são alguns dos espaços que contrastam com o acervo centenário de livros na biblioteca. A modernização da escola atrai os estudantes cada vez mais conectados. O colégio oferece ainda disciplinas eletivas de acordo com as áreas de interesse dos alunos.

Apesar de todas as reviravoltas que já vivenciou, ao longo da sua história, transferindo-se de lugar e mudando de nome várias vezes, como vimos, o Ginásio Pernambucano nunca perdeu o foco principal no ensino público, tornando-se, um dos mais importantes educandários locais e do país, contribuindo significativamente para a formação  de diversos  pernambucanos.

 

2 respostas

  1. Primeiro, é bem verdade que o Ginásio Pernambucano é um gigante, mas a qual Ginásio vocês se reportam na totalidade das ações apontadas?
    A nota é dúbia, porque há duas instituições com o mesmo nome (Cabugá e Aurora).
    Em relação a grandiosidade das escolas: é fato! Mas, caberia uma crítica ao poder público local para pensar na estrutura desses espaços de formação humana. No que do respeito ao da rua da Aurora, há uma necessidade imediata de restauração, de reforma e um projeto de climatização, afinal, os(as) estudantes que passam o regime de aula em tempo integral necessitam de acomodações mais estruturais. É importante também citar que os projetos educativos, muitas vezes, acontecem sem incentivo algum, senão pela vontade dos (as) professores(as) que injetam seus recursos próprios para que a educação alcance seu objetivo, a saber: formação plena do educando para a vida e cidadania.
    Penso que a notícia é formidável e traz uma trajetória de resistência dessa instituição secular, porém, é preciso desvelar aquilo que não é apontado, cujo jornalismo pode contribuir com a mudança. O Ginásio Pernambucano da Aurora, diante de sua estrutura física, quiçá de outros aspectos, pede socorro.

    1. Obrigado por nos acompanhar e comentar sobre o assunto. Valorizamos o que de melhor tem no centro da cidade. O Ginásio Pernambucano é um patrimônio da população, independente de onde funcione.

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